quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz

(…)

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre in “Trova do vento que passa”
Fotografia retirada do Google




Canela

4 comentários:

Anónimo disse...

"Se o meu avô fosse vivo"... faria 107 anos, precisamente no dia da liberdade, foi uma das pessoas que semeou em mim a luz de uma "candeia dentro da própria desgraça"...
Piro-agradecimentos

Canela disse...

E, um sábio avô que deixou um grandioso legado genético!
Tempos houve, em que existiram grandes homens que travaram grandes batalhas, porque, sempre, acreditaram num futuro mais igual para todos! Mas, de repente, tudo se esqueceu, tudo se aquietou! Que estranho!

Angela disse...

É um poema lindo, que me deixa com muitas saudades desse lindo e caloroso país que se chama PORTUGAL.
Acho que é o único país cujo nome se escreve e pronuncia da mesma forma em diferentes línguas.

Canela disse...

Bem podes escrever caloroso! Continuamos cheios de sol e calor, felizmente!
Concordo plenamente contigo e apesar de ser uma "manta de retalhos", a minha alma está presa ao mar, ao verde e as gentes desta pequena península cheia de caracter - PORTUGAL.