No mundo exótico dos chás, estes são dois dos meus preferidos, mais o de canela e o de amêndoa...confesso!
sexta-feira, agosto 31, 2007
Mudanças
A flor de jasmim que se encontra no lado direito é do jardim de casa.
Canela
quinta-feira, agosto 30, 2007
Sea Turtles Fields
As tartarugas que já não conseguem chegar ao mar
Olho Azul
Aqui um pé em falso pode ser fatal!
Canela
O Nome
- Jasmim.
Mas eles retorquiam:
- Ah! Anabela!
Eu tentava corrigir:
- Não! Jasmim.
Mas, a resposta era imediata:
- Sim! Anabela!
E, foi assim que em África me deram um nome – Anabela! Curiosamente a minha Dona T., que sabe perfeitamente que me chamo Jasmim, também me chama Belinha!
Canela
quarta-feira, agosto 29, 2007
Grandes Luxos
Lavar os dentes directamente com a água da torneira.
Tomar banho de imersão.
Já com edema no pé e perna
A falta de água potável e o meu descuido fizeram com que um simples golpe na perna redundasse numa infecção. As dores tiraram-me o sono em algumas noites, mas muito poucas, nada que um anti-microbiano e anti-inflamatório não tratassem.
Numa das vezes em que mudava o penso, um habitante local disse-me: isso está muito feio!
De facto! Estaria melhor se eu fosse mais cuidadosa e não deixasse entrar areias e pó directamente no ferimento.
Soube mais tarde, por outro habitante local que o hospital não tratava praticamente nada e até para tirar uma radiografia tinha de ser no aeroporto.
Canela
Pequenos Luxos
O cheirinho da minha casa.
O choro desesperado da minha rafeirinha linda.
A minha mãe a chamar-me “a minha morenaça linda”
Canela
Quando cheguei...
Agora que me vou embora, ela teve os cachorrinhos!
Ela é uma fofora muito meiga. Eles são absolutamente encantadores!
Canela
Mas o céu só ficou triste…
Há quinze anos que não chove. Hoje, quando iniciei a despedida, o céu escureceu subitamente e na garganta o nó foi apertando para impedir que os olhos chorassem.
Hoje chove – disse-me um cidadão africano – hoje chove!
Hoje chove?! – Perguntei eu estupidamente.
Hoje chove! África está triste porque vai embora!
Mas o céu, como sempre, é engenhoso e transferiu a enxurrada de água para os meus olhos!
Canela
Quando a realidade supera o sonho
segunda-feira, agosto 20, 2007
Instintivamente…
Prossigo com a minha vida de Leãozinho!
Fotografia de Filipe Silva (“Brincadeiras 2”), retirada do sítio “Olhares”
Canela
De outros tempos
Para provar o quanto eu gosto de praia!
Para demonstrar que eu já soube pousar para a fotografia, mas agora não!
Deixo aqui uma fotografia, que tinha na minha câmara fotográfica, de há uns anos atrás. Como sempre apareço em primeiro plano na “Kodak” do meu pai. O menino que aparece na fotografia ao meu lado tem a minha idade, mas é mais enfezado, e conta a minha mãe que, um dia experimentou o poder dos meus dentinhos! O que prova que o meu mau feitio já vem de longe!
Divirtam-se e parem de reclamar!
Canela
sexta-feira, agosto 17, 2007
Socorro!
E será que também é para durar?! Logo agora?! SOCORRRO!! :(
Canela
quinta-feira, agosto 16, 2007
Sê Bem-Vinda
Sê bem-vinda meu amor.
Canela
domingo, agosto 12, 2007
quinta-feira, agosto 09, 2007
Se fosses...
Se fosses azul queria-te turquesa
Se fosses chuva queria-te intensa
Se fosses mar queria-te quente
Se fosses estrela queria-te cadente
Se fosses de cor queria-te arco-íris
Se fosses terra queria-te envolvente
Se fosses vento queria-te brisa
Se fosses cheiro queria-te inebriante
Se fosses letra queria-te Ω
Se fosses fruta queria-te doce
Se fosses lua queria-te cheia
Se fosses noite queria-te de desejo
Se fosses dia queria-te feliz
Se fosses manhã queria-te com neblina
Se fosses olhar queria-te de ternura
Se fosses flor queria-te jasmim
Se fosses som queria-te cravo
Se fosses criança queria-te a sorrir
Se fosses especiaria queria-te canela
Se fosses amor queria-te eterno
Se fosses Eu queria-te meu.
Só para matar saudades!
Canela
terça-feira, julho 31, 2007
See you soon!
Mantenho a inércia no tempo que voa e aguardo pelo último minuto. Aprendi a esperar! Mas, ainda me deixo impressionar com o alcance do último minuto! Há algum tempo atrás, numa prova de resistência (corrida), no liceu, disse ao professor, por brincadeira, que venceria aquela prova. Ele incrédulo riu muito e acrescentou:
- Estás a esquecer-te dos rapazes?! Todos eles são mais resistentes do que tu!
Serão?! – pensei – não me ponhas á prova! Venci, precisamente, no último minuto, perante o olhar estupefacto do professor. A partir desse dia aprendi que não adianta correr, é preciso saber esperar pelo tempo das grandes decisões – o último minuto.
Parto com tempo a termo. Levo a minha inseparável e insuperável saudade de todos e de tudo. Uma louca ansiedade apoderou-se de mim e sinto medo que o tempo passe depressa. Passará. Mas não sem antes colocar todas as horas nos minutos e esculpir cada segundo. Voltará?! Talvez! Com brilho nos olhos e um sereno sorriso no rosto… on the last minute!
Até lá fiquem bem
See you soon
P.S. - Só podia terminar com o meu adorado N.º nas postagens de Julho!
Canela
segunda-feira, julho 30, 2007
The State of the Art
Paulatinamente vou-me despedindo dos lugares de férias desta pequena Península. Despeço-me do Alentejo e das suas magníficas praias; de Tróia; de Setúbal, dos chocos fritos e da caldeirada de peixe; dos golfinhos do Sado; das belíssimas praias inacessíveis por terra da Arrábida; da beleza de Sintra; das praias, da gastronomia e das gentes de Peniche e da Nazaré; de Aveiro e dos seus ovos-moles; do colorido das casas da Costa Nova; de Estarreja; de Ovar e de alguns amigos; das praias de Esmoriz, do Porto, da Póvoa de Varzim, de Viana do Castelo e de Caminha e despeço-me do meu amado Douro.
Vivo, agora, imersa em intensas recordações de cheiros, de cores e de sons. África aguarda-me e eu vou, volto em Setembro, se voltar!
Canela
Entre o Sonho e a Vigília
Abstracto na visão de um céu profundo.
Nem um nem outro me serve, nem aquele
Destino que se insinua
Com voz semelhante à minha. O melhor mundo
Está por descobrir. Não seque a lua
Nem o perfil da proa. Vai direito
Ao vago, incerto, misterioso
Bater das velas sinalado de oculto.
Quero-me mais dentro de mim, mais desumano
Em comunhão suprema, surto e alado
Nas aragens nocturnas que desdobram as vagas,
Chamam dorsos de peixe à tona de água
E precipitam asas na esteira de luz.
Da vida nada senão a melhoria
De um paraíso sonhado e procurado
Com ternura, coragem e espírito sereno.
Doçura luminosa de um olhar. Ameno
Brincar de almas verticais em pleno
Sol de alvorada que descerra as pálpebras
Ruy Cinatti in “Vigília”
Imagem de João Castela Cravo ("Albarrada"), retirada do sítio "1000 imagens"
Canela
domingo, julho 29, 2007
No final da vida
que se possui
no paraíso branco
tudo o resto é gratuito
Francisco Duarte Mangas in “paraíso branco pintado de fresco”
Canela
sexta-feira, julho 27, 2007
quinta-feira, julho 26, 2007
Fire vs. Poetry
Leonard Cohen
Canela
quarta-feira, julho 25, 2007
Paixões
Ao acordar sei que há nevoeiro no mar, ainda que o tempo não seja de tréguas.
Canela
terça-feira, julho 24, 2007
Dos dias de dor e de saudade
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha…
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Miguel Torga in “Ponta Seca”
Canela
sexta-feira, julho 20, 2007
Até breve
E hoje, no limiar da minha força, despedi-me do que restou do meu amado avô, embrulhando grande parte da minha alma no mesmo lençol de linho branco.
Canela
quinta-feira, julho 19, 2007
When the hard part is over
Baudelaire
Canela
quarta-feira, julho 18, 2007
Retrato de Mulher
estas cabeças
para suave alegria
voltadas
nos postigos
As pernas de donzela
trazem sempre a chuva
e nas últimas corridas do ano,
opróbrio
Nestas latitudes,
aluga-se um rosto
por amor à arte.
Gil de Carvalho in “de Aboiz”
Canela
Com ausência de letras
vou escrever (na face nego sorrisos como
quem fecha janelas) hoje só preciso
de mim (este poema é grátis: não está
incluído no preço do livro). hoje não
tocarei o corpo da Corona Four uma
azerty americana já com uma certa
idade (ainda é das que escreve poesia
a preto ranço) faz um mês que se
perdeu a tecla da letra « » só por isso
não tenho escrito sobre o rilho dos
teus olhos. o meu copo está vazio (hoje
não é poedia) depois eu mando alguém
uscar as minhas palavras
João Luís Barreto Guimarães in «de ‘ Este Lado para Cima’, 3»
Canela
domingo, julho 15, 2007
Realidade
Num dia destes o telefone tocou, e do outro lado percebi que estava uma voz masculina titubeante e em sérias dificuldades em coordenar a ventilação e as vibrações das cordas bucais. Disse quem era e falou de muitas outras coisas, quando eu já tinha os opérculos dos ouvidos fechados e tentava novamente voltar à parede branca. Mas, sem me querer dar sossego a alma do outro lado da linha começou a interpelar-me:
- Sabe onde fica esse sítio?
- Sei – respondi.
- Então vá já lá e nós oferecemos-lhe um aparelho para medir a tensão arterial! - E depois acrescentou – mas tem de levar o seu marido!
Foi, neste preciso momento, que as palavras me feriram como estilhaços de vidro e já quase a saltar do sofá perguntei:
- COMO????!!!
A voz titubeante baixou-se um pouco, mas continuou a dizer:
- A empresa obriga-a a levar o seu marido!
Pela minha cabeça passavam expressões inenarráveis neste “post”, até vários cqf passaram, mas um sentimento de pena por aquela voz fraquinha levou-me a dizer:
- Ouça! Seria um custo muito elevado a pagar por um simples esfigmomanômetro! Percebe?! – Depois ainda lhe consegui desejar – Tenha uma boa tarde! E desliguei o telefone.
Por muito esforço que fizesse não conseguia voltar para a parede branca e não conseguia abandonar a memória daquele diálogo, só pensava em processar aquela empresa. Até que, de repente, comecei a pensar que, podia ter ocorrido um mal entendido, e como eu sou uma deslumbrada, poderia não ter prestado a necessária atenção aquele senhor, que na realidade me proponha uma mera campanha de troca!
Canela
sábado, julho 14, 2007
A caminhar com passos largos
Quase ao lado da secretária continua a repousar a vacina contra a febre-amarela e a profilaxia anti-malária, o que indica que, ainda não perdi a esperança de voltar a África nestas férias. Na agência de viagens, á aproximadamente dois meses, que me andam a avisar para ir abandonando as expectativas, e depois de pedir mais de mil explicações, descobri que, assim que lá entro desaparecem praticamente todos, excepto uma funcionária. A verdade é que, nestes dois últimos meses de permanentes perguntas, aprendi mais sobre quotas e operadores turísticos do que em toda a minha vida. Só, ainda, não me convenceram a marcar as férias com mais tempo de antecedência, porque sempre que as reservo no último minuto vou para onde quero.
Para trás ficam também as viagens sonhadas (mas só por este ano) ao Nepal e Tibete, ao Perú (Machu Picchu, Cuzco e Lima) e ilha da Páscoa.
Quanto a África posso não ir à desejada, mas é bem provável que vá à possível!
quarta-feira, julho 11, 2007
Concisa Estória da Arte
O maisimportante na vida
É ser-se criador – criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.
António Botto in “Curiosidades Estéticas”
Imagem de João Mota da Costa ("Corpus 1"), retirada do sítio "1000 imagens"
Canela
Em Primeira Página
uma das medidas mais duras
decretadas pelo governo parisiense
Francisco Duarte Mangas in “paraíso branco pintado de fresco”
Canela
terça-feira, julho 10, 2007
Feliz Aniversário Rosinha
Uma flor grávida de um P. (espero não estar a cometer nenhuma inconfidência!) e já com um X. (o meu sobrinho enciclopédico em dinossauros!).
Uma Rosa em que os espinhos se transformaram em palavras de ternura, em cuidados com todos os que te rodeiam (incluindo o chato do meu amigo N.). Uma Rosa sempre disposta a esquecer-se de si para acudir os que te pedem colo.
Uma flor que coloriu o mundo de rosa claro, povoou de azul-bebé, desenhou um arco-íris e ao atar-lhe um balão o ensinou a voar.
Que cada pétala te atinja com ondas de eterna felicidade.
Feliz Aniversário C.
Como não lembrar a nossa incursão pela culinária?! Lembras-te?! A nossa paixão por peixe fez-nos começar, pelo que parecia mais simples, grelhar carapaus, o resultado foi desastroso e terminamos aos vómitos (culpa do insuportável cheiro a peixe!) e com os carapaus todos desfeitos a voarem pela janela! Salvou-nos o arroz de alho da E., absolutamente memorável, e que, ainda hoje, faço aquando das minhas curtíssimas passagens pela cozinha!
Tenho infinitas saudades das nossas intermináveis conversas, dos temas que debatíamos até à exaustão, dos textos que escrevias. Tenho infinitas saudades de te ter mais perto. Tenho inexprimíveis saudades de ti.
Que o dia te abrace na enigmática forma de transmissão de amor.
segunda-feira, julho 09, 2007
«To You»
Now we are together privately, do you discard ceremony,
Come! vouchsafe to me what has yet been vouchsafed to none —Tell me the whole story,
Tell me what you would not tell your brother, wife, husband, or physician.
Walt Whitman in "To You"
Imagem de JET ("The Meeting-Epilogue"), retirada do sítio "Olhares"
domingo, julho 08, 2007
quinta-feira, julho 05, 2007
Brainstorming
sexta-feira, junho 29, 2007
Feliz Aniversário Licas
Não é por acaso que, nos meus jogos de associações, sempre que penso em alguém doce, ternurenta e linda é a tua imagem que aparece. A menina, a quem se destina este “post” é das pessoas mais bonitas que conheço. Tem uns olhos verdes que nos abraçam, um sorriso que é uma fonte de paz, e dentro desta harmonia deixa sempre escapar algumas palavras em forma de torrões de açúcar, outras em forma de algodão doce, mas a maioria escorre como o mel.
Hoje é o dia do aniversário da menina-olhos-doce-esmeralda e, mais uma vez, percorri a memória, na tentativa de encontrar as palavras exactas, as palavras que definam cirurgicamente os sentimentos, mas não as encontro. A uma mulher de ciências foram renegados determinados apanágios. Deram-nos a capacidade de síntese, ensinaram-nos os termos técnicos, encheram-nos o coração de emoções e sentimentos, mas depois retiram-nos as palavras mais importantes. Triste sina a nossa! Mas, ainda assim, recorrendo ao meu deficiente vocabulário quero dizer-te:
quinta-feira, junho 28, 2007
Sol e Lua
Tão raro confessar-te ó Lua que te esqueço
David Mourão-Ferreira
Canela
Pelos olhos de um Poema
Às vezes oiço-te sob o chão do palcosussurrando palavras que só a mim destinas.
Gostava de saber porque entro em cena
ostentando palavras de uma voz
que ninguém ouve
com a mão deslumbrante que as cria no poema.
E depois os dedos tocando o papel
um vai-vém, ora aqui, ora flecha perseguindo o alvo,
um alvo rato que se escapa pelos cantos.
Oh, o grito cego da mão por essas horas
cheias de medo de perder a tua voz invisível
e o chão secreto de onde dás alento,
oh, o medo que a mão tem de se perder das palavras,
de não achá-las nunca.
E as outras
as magníficas palavras que entram em cena pela mão de alguém?
Fico sentada a vê-las da cadeira
a amá-las como se minhas fossem
enquanto dura o acto até ao intervalo
em que as unhas furam o pano da cadeira,
esgravatam na mesa,
unhas de gato correndo atrás da bola de papel.
De repente as palavras descem pela mão até aos dedos
onde a tinta jorra pela mesa
e o corpo se inclina como se fosse ajoelhar.
Rosa Alice Branco in “Joelho de Papel”
quarta-feira, junho 27, 2007
Feliz Aniversário Primoca
Tu e eu somos assim, um nó anular, sem princípio nem fim, iguais em todos os aspectos.
Não existe tempo, nem espaço, nem condição física que nos separe, deve ser por isso que sonho que estou grávida da C. Já temos um nozinho que começa a dar os primeiros passos em direcção a um nó maior.
Eu-parte-do-nó sou deficiente em palavras que transmitam emoções e sentimentos únicos, mas tu-parte-do-nó és dotada de uma inexplicável capacidade de me adivinhar as emoções. Como vês não és só gestora de recursos humanos alheios!
Mesmo gerindo muito mal a conjugação de palavras, quero dizer-te, o que já sabes, que te amo imensamente.
Que tenhas um aniversário conjugadamente feliz, como só tu mereces.
terça-feira, junho 26, 2007
«Auto-de-Fé»
No dia em que não escrever mais poemas
Sei que o amor resgatará o meu corpo da chama.
Paulo Teixeira in “Auto-de-fé”
Canela
segunda-feira, junho 25, 2007
Do que não se sabe
Que raras deusas têm escutado
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem to disse tão cedo?
Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque o não sabia.
Mas quem roçou da testa o teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?
Ou foi só o que sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?
Seja o que for, quem foi que levemente,
Ao teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?
Foi um desejo que, sem corpo ou boca.
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca
A que as deusas esperam da ledice
Canela
sexta-feira, junho 22, 2007
Incómoda
Mas vou perguntar se já viram o filme “O pianista”? Vou perguntar, que sentimento de MEDO tolhe aquelas pessoas que se encaminham pacificamente para a morte? Vou perguntar, quantos mais são precisos para reverter estas situações? Vou perguntar, se é difícil perceber que a união faz a força, e que a divisão aumenta o poder da prepotência?
Ainda não percebi se está na hora de partir. Se está na altura de procura locais onde a rarefacção do oxigénio seja mais suportável. Quem sabe L. me junto a ti em Nova Iorque, como tu serei apenas mais uma.
Mas não se assustem, não perdi a vontade de lutar e mesmo quando digo: chega, estou cansada! Vem a noite, e o sono tudo apazigua! Depois vêm os sonhos, aos quais damos a oportunidade de fugirem e o de ontem não ajudou! Aumentou-me o diâmetro abdominal! E, passei a ter outra preocupação: Como é que é possível, eu estar neste estado? Como é que eu vou justificar esta situação? Pobre sonho, tentou dar-me cinco meses de descanso, mas trouxe-me preocupações acrescidas. Assim não vale. Resta-me acrescentar, que mesmo depois de umas escassas horas de sono, renasci como uma enorme vontade de recomeçar, de usar as minhas armas, de me tornar incómoda.
A barriga?! Deixou de ser mais uma preocupação, afinal ela sempre existiu!
Porque…
Porque vou deixar “umas pontas” para daqui a umas horas.
Porque estou exausta.
Porque daqui por umas horas já estarei a trabalhar novamente.
E, porque me lembrei de todos os que me têm dado muito colo e mimo desde ontem, estava a precisar!
Vim só espreitar e deixar um recado:
ternura
é a moeda corrente.
Francisco Duarte Mangas in “Paraíso branco pintado de fresco”
Canela
terça-feira, junho 19, 2007
Se não for pedir muito…!
- Só faltam quatro dias! Com um enorme entusiasmo e num derradeiro esforço para falar português, depois de termos acordado que ele me ensinaria a falar sueco e eu o ensinaria a falar português! Não resisto!
Glicodoce
Amanhecee no espreguiçar dos olhos
absorvo a tontura do novo dia
ao sair do quarto
atravesso o branco sujo da manhã
e vou tomar café com muito açúcar
levo um pastel de Tentúgal para a varanda
e mastigo-o ouvindo as harpas da cidade
e quando tu chegas de roupão
bebendo o teu cacau
explico-te o horizonte com barcos
Men’s World
- Sr. Ministro, se V. Exa. fosse o meu marido, colocaria veneno no seu café!
Churchill, com muita calma, tirou os óculos e após alguns minutos de silêncio exclamou:
- Se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse café!
Autor não identificado, mensagem enviada por correio electrónico
- É bonita (ou tem uma carinha laroca!), é inteligente, mas vai ter de aprender a ser submissa.
É, precisamente, nestas alturas que temos vontade de pedir:
- Um café, por favor! E, já agora, com dose dupla de um qualquer veneno letal!
- Tem preferência pelo veneno?!
- Um qualquer! De preferência vendido em frasco muito pequeno!
segunda-feira, junho 18, 2007
“Panta rhei”
Em rebelião como o meu cabelo.
Em rumo do nada, nem de coisa alguma.
Perdida entre o vazio do espaço e a exigência
dos que procuram conforto nas frases que decorei!
No espaço intertidal
as ondas fazem-se esperar
e o ar não alimenta.
Fluo em busca de mais,
muito mais!
Mais!
Muito.
Canela
sexta-feira, junho 15, 2007
Em Oração
Livrai-me, Senhor.De tudo o que for
Vazio de amor.
Que nunca me espere
Quem bem me não quer
(Homem ou mulher).
Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem.
E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.
quinta-feira, junho 14, 2007
Milagre de Santo António
Preciso que me lembres...
Mohandas Karamchand Gandhi
Canela
"Douta Ignorância"
Of what is true or right or real,
But forced to qualify or so I feel,
Or Well, it does seem so:
Someone must know.
Strange to be ignorant of the way things work:
Their skill at finding what they need,
Their sense of shape, and punctual spread of seed,
And willingness to change;
Yes, it is strange,
Even to wear such knowledge - for our flesh
Surrounds us with its own decisions -
And yet spend all our life on imprecisions,
That when we start to die
Have no idea why.
Philip Larkin in “Ignorance”
Canela
quarta-feira, junho 13, 2007
No desfazer de sonhos…
Deixa ficar comigo a madrugada,para que a luz do Sol não me constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um porto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
Crepite em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito…
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso
David Mourão Ferreira in "Paraíso"
Imagem de António Ramos ("Sonho sobre azul..."), reirada do sítio "1000 imagens"
Canela
terça-feira, junho 12, 2007
Alzheimer
E por falar em…
Em análise
De tempos a tempos reaparecemos, olhamo-nos de soslaio e com apenas um sorriso dizemos – presente!
Mas, da última vez foi diferente, eu destilava veneno e correndo sérios riscos de comprometer a minha função hepática dei início a um longo monologo. Não sei se me ouves – perguntei assim mesmo, mas como sempre, vi-te a vaguear entre os dois mundos. Não faz mal – pensei, ouvir as palavras ajuda-me a atribuir-lhes uma ordem, obrigo-as a entrarem num sistema organizacional de criação de ideias! De vez em quando, lá sai uma que me distrai, que me faz rir! Outras vezes, encontro outra com um léxico diferente, como se carregasse um código linguístico novo! Quero avisar-te que acabei de encontrar um neologismo, mas tu já entendes-te, reconheço-o no teu riso malandro. Será que me ouve? – penso de novo. É aqui que decido trancar o texto, termina-lo abruptamente sem deixar que a última ideia entre para o finalizar. E, quando dou por mim a pensar – ok! Não me ouve! Tu paras, e com um incomparável poder de síntese, resumes o meu monologo de duas horas em:
- Tem uma vastíssima experiência em divórcios, sem nunca ter passado por um único casamento!
Eu olho para o contador de tempo e sinto que esgotei todas as palavras.
segunda-feira, junho 11, 2007
Um outro segredo
Deixa-me contar-te um segredo…
Tú querías que yo te dijerael secreto de la primavera.
Y yo soy para el secreto
lo mismo que es el abeto.
Árbol cuyos mil deditos
señalan mil caminitos.
Nunca te diré, amor mío,
por qué corre lento el río.
Pero pondré en mi voz estancada
el cielo ceniza de tu mirada.
¡Dame vueltas, morenita!
Ten cuidado con mis hojitas.
Dame más vueltas alrededor,
jugando a la noria del amor.
¡Ay! No puedo decirte, aunque quisiera,
el secreto de la primavera.
Federico García Lorca in “Idílio”
Fotografia de António Ramos ("Navegar"), retirada do sítio "1000 imagens"
Canela
domingo, junho 10, 2007
Para quem me telefonou…
Que tipo de infidelidade é essa entre ti e o teu “blog”?!
Ou, já não sei de ti desde quarta-feira! Vê lá se, ainda, escreves hoje!

Aqui fica a justificação: estou de regresso e cansada, como a fotografia em epígrafe pode, perfeitamente, comprovar!
Por isso vou descansar um pouco, porque à noite, ainda quero ir ao cinema…
Fotografia de autor desconhecido
quarta-feira, junho 06, 2007
Loucura vs. Amor
Friedrich Wilhelm Nietzsche
Canela
terça-feira, junho 05, 2007
Feliz Aniversário P.
_Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Talentos que foram colocados a render, lugares que se constroem de forma inteligente, pautados por grandes silêncios e movidos por fortes sentimentos, nos quais nunca deixas-te de acreditar.
Os frutos mais doces são os que se colhem quando estão maduros.
No final, tudo será assim, frutos maduros mergulhados em amor e o merecido descanso de um guerreiro.
Que tenhas um aniversário merecidamente feliz e que essa felicidade se prolongue indefinidamente.
Elas
Paul Géraldy
Canela
Análise Combinatória
que amava Maria que amava
Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Drummond de Andrade in "Quadrilha"
Canela
segunda-feira, junho 04, 2007
A propósito…
Pode parecer que os Jogos Olímpicos nada têm a haver com genética, mas na verdade, só tem a haver, senão vejamos!
Como é do conhecimento geral, os homens possuem uma maior quantidade de massa muscular relativamente às mulheres, e todo isto porque possuem dois cromossomas sexuais diferentes – XY. Então porque é que as mulheres, que têm dois cromossomas sexuais iguais (XX), têm menos quantidade de massa muscular?
A explicação é simples (sem entrar em detalhes técnicos!) se olharmos para a letra Y deduz-se, facilmente, que este cromossoma pode ter tido origem num cromossoma X através da perda de “uma perna”, ou seja, sofreu uma deleção. Assim sendo, isto significa que em termos de cromatina sexual as mulheres possuem mais informação genética do que os homens. Mas a pergunta mantêm-se: como é que eles têm maior quantidade de massa muscular?
Porque eles, pura e simplesmente, têm toda a informação genética contida nos seus cromossomas sexuais (XY) a ser lida, enquanto que, as mulheres têm um dos seus cromossomas X “empacotado”. Como todos sabemos, quando queremos retirar informação de um livro temos de o abrir, fechado não conseguimos aceder à informação. O que significa que este cromossoma, quando não está em divisão, não está a expressar a sua informação genética o que indica que, só um dos cromossomas X está a ser lido.
Voltemos aos Jogos Olímpicos, da presumível década de 60, onde alguns atletas masculinos, incapazes de vencer nas provas das suas modalidades, se integravam nas equipas femininas mimetizando as mulheres. O que nem era muito difícil se tivermos em conta o aspecto masculinizado da maioria das atletas. Claro, alguns venciam! Mas outros devem ter tido mais dificuldade em manter este disfarce camaleónico e levantaram suspeitas, o que levou o Comitte a procurar soluções para esclarecer a situação. Uma das soluções encontradas foi fazer uma simples raspagem do epitélio da língua para tentar descobrir se nestas células se observavam os chamados corpúsculos de Barr (o tal cromossoma X “empacotado”), que correspondem a uma marginalização da cromatina (em forma de meia-lua), contida no núcleo da célula. Portanto, células femininas com corpúsculos de Barr, células masculinas sem corpúsculos de Barr. O problema foi assim facilmente resolvido!
Mas não o nosso! Continuamos sem saber porque é que as mulheres têm um cromossoma sexual “empacotado”!
Na verdade pensa-se que aquele “bocadinho” a mais de cromatina (a tal “perna” que falta no Y), contém informação suficiente para dar origem a uma nova espécie. Ou seja, a reprodução entre homens e mulheres poderia deixar de ocorrer. Em termos genéticos parece que somos todos do planeta Terra, e perfeitos!
A conclusão a que provavelmente chegaram é que, muito pouca informação contém o pobre do Y! É verdade! Mas, será que é só na quantidade de massa muscular que detectamos a sua expressão?! Para as mulheres a resposta é simples. Para os homens: vou deixar que descobram!
Em tons de cinza
que a forma monocromática
de governo
não é a mais aconselhável
para um paraíso
Francisco Duarte Mangas in "paraíso branco pintado de fresco"
Canela
domingo, junho 03, 2007
Wild Blue
no centro de um rosto, filigranas, telas de uma memória
difícil. O que une a fidelidade à fidelidade da
paixão é o limite em que se adormece. Mas não
se desperta dessa luz. Se me prendes, eu fujo no
mar, corro nas falésias, nos perigos da morte e do
entardecer. Se eu te prendo, morro repentinamente
sem dizer toda a verdade sobre o que o mar oculta.
sexta-feira, junho 01, 2007
Dia Mundial da Criança
como nos outros dias.
Aqui fica a poesia
e o eterno conselho do dia.

Não saibas: imagina…
Deixa falar o mestre, e devaneia…
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.
Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões…
Um á-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições…
Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia…
Miguel Torga in “Instrução Primária”
Fotografia de Irinha Kuikuro, retirada do sítio "Olhares"
Para todas as crianças e a todos os que, ainda, alimentam essa competência, mas muito especialmente, para os meus sobrinhos e sobrinhas, para os meus dois afilhados lindos e para a minha afilhada-prima que tem nascimento previsto para o final de Agosto.
Aqui, em casa, para alimentar a fantasia mantém-se o chocolate quente, os bolos, bolinhos e bolachas, a borboleta arco-íris, a lagarta intrometida e o caracol-do-contra!
Canela
Música vs. Poesia
Bob Dylan
Canela
História de uma Gata.jpg)
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