sábado, setembro 27, 2008

Outra…


inusitada estória-de-amor, um tudo ou nada parecida com a que me ofereceram.


Imagens de autor desconhecido, enviadas por correio electrónico.


Canela

sábado, setembro 20, 2008

Quite Insane



Canela

A que distância da escrita deixas o coração?


Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»

a altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um «não esquecer» fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome

ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»




José Tolentino Mendonça in “A Presença Mais Pura”
Pintura de Duma (“Sabes… acho que concordo contigo!”), retirada daqui.


Canela

Ofereceram-me…

Uma inusitada estória-de-amor.
Eu leio-a vagarosamente, como quem liba mel gota-a-gota.


Canela

quarta-feira, setembro 10, 2008

Let’s Pretend…


(…)

Maybe I’ll never die
I’ll just keep growing younger with you
And you’ll grow younger too
Now it seems too lovely to be true
But I know the best things always do
…


Canela

Os Hospitalários no Caminho de Santiago



Notícia publicada no site da Câmara Municipal de Matosinhos
Imagens retirada do site da Câmara Municipal de Matosinhos


Canela

sábado, setembro 06, 2008

«You & Me»

The Walkmen


Canela

Como a Chuva

Vou guardar-te em cheiros
o da pele primeiro,
com sabor a mar.

Deixo escorrer a ternura,
gota-a-gota,
perfumada a sol e baunilha.

Com o azul cristalino
guardo os segredos
de Jasmim e Canela.

A guardar-te
em frasco de vidro
como a chuva.


Canela

domingo, agosto 31, 2008

«Je ne Suis pas Morte»

De Jean-Charles Fitoussi



Fotografia retirada daqui.

Canela

sábado, agosto 30, 2008

quarta-feira, agosto 27, 2008

A propósito do tempo

Dizes-me que brevemente estarás de volta.
Eu pergunto-me: quão breve será esta eternidade?


Canela

Carlos Drummond de Andrade pelo Trovador

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

(Carlos Drummond de Andrade em “Alguma Poesia”)







O desafio foi lançado, e a resposta não tardou: Carlos Drummond de Andrade pelo Doce Trovador. Em comum temos a paixão pela poesia, o amor a Drummond, mas o maior link sempre esteve e estará na vida. Une-nos um só coração, aquele que sempre gritou por um amor maior, o nosso.

Parafraseando Manuel Bandeira: Teadoro Trovador.
Beijinhos Doce Trovador


Canela

segunda-feira, agosto 25, 2008

Desafio

A propósito deste post, lembrei-me imediatamente de um amigo que adora Carlos Drummond de Andrade. Daí até ao desafio foi só um bocadinho assim!



Canela

domingo, agosto 24, 2008

Manhã em resumo

Às cinco da manhã já vestia roupa de desporto e calçava as sapatilhas. Sai para a rua com a noite ainda instalada, mas a saber onde acorda o sol. Concentro-me na linha do horizonte que me devolve o tempo. E, assim que os tons quentes se instalaram, saltaram as recordações de manhãs iguais passadas no Douro.
O cheiro da terra quente, o sabor doce de um vago de moscatel (colhia um vago de cada cacho, para grande tristeza do meu avô), o cheiro quente dos figos e a rugosidade das folhas das figueiras. O chilrear dos melros e das rolas, o som da água cristalina do rio que atravessava as nossas terras e o som oco das carapaças dos cágados que atravessavam as pedras do rio.
Os pés que penetravam as águas gélidas, a pele alva do meu avô e os seus enormes e lindíssimos olhos azuis.
Enquanto o tempo conspirava, redescobria o cheiro da terra seca e sentia o som dos cascos do cavalo contra o xisto: era o meu avô que chegava para me resgatar, antes que qualquer raio de sol me queimasse a pele.
Quem sabe se um dia troco a linha-do-mar, pela linha-dos-montes em socalcos do Douro.
Antes das nove da manhã perfazia mais ou menos 20 km, mas já tinha parado para tomar o pequeno-almoço.
Hoje foi uma manhã com objectivos cumpridos e algumas dores musculares.



Canela

Tertúlias do Porto


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.




Manuel Bandeira in “Neologismo”
Cartaz enviado via “E-mail” pela livraria Poetria, onde me sinto em casa. Obrigada


Canela

quinta-feira, agosto 21, 2008